Como tudo começou?

Veja bem, vamos começar esse papo de uma maneira muito sincera. Eu sou o tipo de pessoa que se atira de cabeça em qualquer coisa que faz, mesmo que faça tudo errado. Não sou de viver por meio coração, tudo o que eu sinto é intenso, forte e infinito. Definitivamente eu estou muito cansada de mim mesma, já são quase 27 anos vivendo a mesma reencarnação, e eu posso te jurar que desde pequena eu me forçava a fazer tudo até o fim. Lembro-me muito bem o que foi brincar a tarde inteira dando voltas na minha primeira, e única, bicicleta com rodinhas na casa de praia … eu simplesmente não conseguia parar, de viver tão intensamente.

Isso no caso me fez vencer em muitos objetivos da minha vida, como passar em todas as matérias da escola, passar para a faculdade, terminar a faculdade … aquele mesmo papo em quem acaba aceitando a vida em sociedade e tem que dar “check” nessas experiências para garantir que “vai ser alguém na vida”, e na verdade acho que foi mais importante ter essas experiências e lutar por elas, do que realmente esperar algum futuro disso tudo.

Essa minha maneira também me fez ser muito presa a tudo, eu sou e não sou apegada. Calma, eu vou te explicar.

Por ser essa pessoa completamente louca apaixonada pela a vida e seus detalhes que quando gosto, não consigo imaginar que aquilo tem um fim. Uma vez uma amiga me disse “não consegue deixar nada porque sabe o que é ser deixado”, aí … como doeu. E não quero que você tenha pena de mim, acho que tudo o que acontece na nossa vida tem um grande propósito, e aos poucos vamos aprendendo que cada dor ou alegria é um grande ensinamento. E foi aí então, que eu larguei tudo.

Voa, voa passarinho. É assim que eu preciso simbolizar essa fase da minha vida.

A primeira vez que viajei de avião e sentir aquela máquina gigante pegar velocidade eu só lembro que fiquei de boca aberta e disse em tom bem baixinho “UAU”. E eu nem imaginava o que estava por vir. Lembro-me também em um dia da escola que uma das minhas amigas mais antigas virou para mim, do nada, e disse: “eu te vejo viajando o mundo”, e eu, logo eu, que só tinha ido na vida até Rio das Ostras fiquei encantada na possibilidade. Mas definitivamente, não era a minha realidade.

E foi aí, nesses meus anos de juventude que eu fui criando uma relação muito especial com o meu lar, o meu Rio. Eu já tinha um grande carinho por certos lugares como a praia e o Palácio do Catete, que foi onde eu passei boa parte da minha infância, mas minha melhores memórias são da casa de praia, elas roubaram a cena e tatuaram uma grande felicidade no meu coração, e também da minha família.

Tudo no seu tempo, é claro.

Ao poder conhecer e desfrutar melhor o Rio de Janeiro fui cativando um grande amor, que até então eu não tinha cultivado. E é claro, pela a minha intensidade, fui me apaixonando de uma maneira muito louca. Uma dia de praia não deveria ter fim, ou dançar na lapa com minha amigas poderia durar várias noites, e mais velha eu vi a beleza que é beber com um amiga próxima na mureta da urca em uma plena segunda-feira.

E foi na corrida, uma nova e grande paixão, que eu conheci um dos meus lugares favoritos do Rio, o Mirante do Leblon. Mas calma, eu sei que essa história deveria ter muitos mais parágrafos, e um tanto mais de versos, eu sinceramente acho que histórias não começam em um certo ponto definido, nós montamos o caminho com pequenas atitudes e todoso eles me levaram a estar escrevendo para ti, neste exato momento.

Não foi por acaso a minha intensidade, o meu amor por colecionar momento, pela a natureza, os animais, pelas manhãs, pelo o esporte ou … meu Deus, eu amo tantas coisas! Por muito tempo eu achei que a intensidade era algo que eu deveria controlar, mas hoje eu já não penso assim, e definitivamente não tenho uma opinião formada por esse assunto que só cabe a mim.

E nessa loucura, que depois de um dia tão belo, tão carioca, eu me vi no sofá de uma grande amiga que morava em Ipanema começando a colocar todo o meu amor no papel… ou no celular se você preferir uma versão mais moderna dessa história. Eu lembro exatamente do momento em que estava escolhendo o nome, e novamente misturei amores, o meu nome idioma (o inglês) com a minha cidade: @riodejaneirotrip

Mas lembra lá em cima, que eu disse que fui embora? Pois é, larguei um trabalho que amava, minha pessoas e minhas razões. Porém essa palavra “largar” não me satisfaz, acho que essa não é a palavra que consegue expressar o meu sentimento sobre a minha vida, ou minhas decisões. Eu não abandono nada, seguro muita coisa, e por alguns poucos momentos eu consigo deixar fluir… E a maior decisão da minha vida, foi deixar fluir nesta decisão.

Novamente, como você pode esperar, eu estou cultivando e amando loucamente ainda, mas com novas raízes.

Barcelona, meu amor, nunca foi tão carioca.

Veja bem, nunca foi fácil, e acredita que não será nunca. Cada vez que vou de um lado do oceano pro outro parece que vou deixando metades e vou me transformando em migalhas… de amor (de novo?). Só nós que vivemos longe de quem amamos sabemos que as despedidas são como arrancar o próprio coração, deixar no local e entrar no avião pra ir longe. Como é bom morrer de amor, e continuar vivendo… né não?

E nessa brincadeira da vida, com a conjuntura mais louca das decisões da minha vida … eu só vejo que amei demais, e vou continuar.

(uma pequena pausa para um choro sincero)

E foi assim que eu cheguei até aqui, acreditando e querendo que as pessoas vejam a minha cidade, e a vida, da maneira que eu costumo ver. Não que seja um grande arco-iris, pode até parecer por tanta emoção que eu escrevo esse texto, mas como uma grande oportunidade em que podemos fazer na vida dos outros, das nossas … e com uma grande emoção do peito, a mesma daquela que tive quando vi o amanhecer em Ipanema, ou quando o meu primeiro avião decolou.

É voa, voa passarinho.

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